terça-feira, 22 de setembro de 2009

Decisores políticos devem tornar a docência mais atractiva

EducaçãoO tempo gasto a manter a ordem na sala de aula, a falta de regalias para o exercício da actividade docente e a ausência de pessoal qualificado nas escolas são algumas das razões apresentadas num relatório publicado pela OCDE para a diminuição da qualidade do ensino.

A falta de incentivos aos professores e o mau comportamento dos alunos tornam o ensino pouco eficiente, refere a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), no seu mais recente estudo em 23 países sobre as condições de ensino e aprendizagem.

Três em cada quatro professores não se sentem motivados para melhorar a qualidade da sua pratica lectiva. Por outro lado, três em cada cinco escolas, registam queixas de professores obrigados a interromper as aulas devido ao mau comportamento dos alunos. Estes são alguns indicadores retirados de uma pesquisa internacional que envolveu a recolha e comparação de dados em 23 países.

Face a este cenário de desmotivação torna-se urgente que os responsáveis pelas políticas educativas criem mais incentivos para o desempenho da função docente, alerta a OCDE.

Qualidade e reconhecimento

Muitos países negligenciam a relação entre a qualidade do desempenho dos professores e as regalias e reconhecimento que lhes são atribuídos e mesmo naqueles onde existe está longe de ser sedimentada.

Na Austrália, Bélgica (Flandres), Dinamarca e Noruega, 90% dos professores inquiridos diz não esperar nenhuma recompensa pela melhoria da qualidade do seu desempenho enquanto docente. Menos pessimistas estão os professores da Bulgária, Malásia e Polónia, ainda que cerca de metade também não encontre nenhum incentivo para melhorar o desempenho da sua actividade.

No México, Itália, República Eslovaca, Estónia e Espanha, mais de 70% dos professores do ensino secundário inferior (o equivalente aos 7º,8º e 9º anos) trabalha em escolas onde o mau comportamento dos alunos na sala de aula limita "até certo ponto" ou "bastante" o ensino ministrado.

Em média, 38% dos professores inquiridos lecciona em escolas onde existe falta de pessoal qualificado. Na Polónia, o problema afecta apenas 12% das escolas, mas na Turquia a percentagem sobe para os 78%.

Estima-se que os professores gastem 13% do tempo lectivo a manter a ordem na sala de aula, no entanto, no Brasil e na Malásia a percentagem ultrapassa os 17%. Pelo contrário, na Bulgária, Estónia, Lituânia e Polónia, os professores perdem menos tempo a pôr os alunos na ordem: abaixo dos 10% do tempo destinado à actividade lectiva.

Para além dos distúrbios em contexto de sala de aula, outros factores relacionados com os alunos estão a prejudicar a actividade lectiva, avisa a OCDE. Destacam-se: o absentismo (46%), os atrasos às aulas (39%), falta de respeito e uso de linguagem ofensiva (37%), intimidação ou insultos a outros estudantes (35%).

A par da falta de incentivos à melhoria da prática do seu ensino, é de notar que em alguns países os professores não chegam sequer a ter oportunidades para melhorar o seu desempenho, nem recebem qualquer apreciação sobre o seu trabalho. Algo que acontece a mais de 25% dos professores na Irlanda e Portugal, em 45% na Espanha e 55% na Itália.

De modo geral, concluem os analistas da OCDE, torna-se evidente que os decisores políticos podem fazer mais para apoiar os docentes e melhorar o desempenho académico dos alunos. Basta que se centrem mais nos resultados da acção educativa e menos no controlo sobre os recursos e conteúdos educacionais.

Por isso, a OCDE recomenda às autoridades educativas que abandonem as políticas burocráticas de aproximação à educação e caminhem para sistemas de ensino assentes na liderança das escolas e na capacitação crescente dos professores.

O estudo abordou questões como a formação de professores, as práticas de ensino, bem como o reconhecimento e regalias atribuídas aos docentes e envolveu 23 países, a saber: Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Bulgária, Dinamarca, Estónia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Coreia, Lituânia, Malásia, Malta, México, Noruega, Polónia, Portugal, República Eslovaca, Eslovénia, Espanha e Turquia. Em cada país foram analisadas 200 escolas, sendo que nelas se inquiriram vinte professores.


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