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A agressão ocorreu na sala de aulas da escola da Moita e, segundo a dirigente, o professor de Português não consegue recordar o que aconteceu. O docente sofreu uma lesão na perna, pelo que tem de andar de muletas.
A nota de um teste poderá estar na origem da discussão e consequente agressão na Moita. Uma funcionária da escola, que preferiu manter o anonimato, disse estar surpreendida "como é que um aluno magrinho conseguiu derrubar um professor corpulento e que ainda não deve ter 40 anos".
A adjunta do director da escola avançou que a directora da turma em causa "procede a averiguações e até final da semana será emitida a decisão, de acordo com o estipulado no Estatuto do Aluno". O aluno, que continua a ir às aulas e não possui antecedentes, incorre numa pena que pode levar à transferência de escola. O professor agredido também foi ontem à escola. Embora de muletas, decidiu dar aulas para os alunos não ficarem prejudicados em semana de testes.
A agressão ocorreu cinco dias depois de ser conhecido o caso de um aluno de 14 anos, conhecido como ‘predador sexual’. O menor, identificado pela GNR, não foi detido, por ser inimputável. É suspeito de violar uma cabeleireira de 20 anos e outra de 40 anos.
PROFESSORES PATRULHAM
A escola D. Pedro II reúne um conjunto de professores tutores, com a missão de efectuarem patrulhas nos pátios no acompanhamento das diferentes turmas, revelou ao CM a adjunta do director da escola, Maria Vargas.
A responsável acrescentou que com esta medida não são conhecidos casos de violência na escola, resultantes de comportamentos altamente perturbadores.
Maria Vargas classifica a recente agressão ao professor do 6º ano uma "situação isolada", da parte de um aluno que "não é problemático".
Na Moita, os recentes casos de violência, envolvendo alunos assustam pais e alunos. Maria Nogueira disse que "teme" matricular a enteada de 11 anos. Uma outra mãe, Paula Oliveira, confia na escola mas garantiu que a filha, de 12 anos, "não sai sozinha" do estabelecimento.
DISCURSO DIRECTO
"QUANDO É CASTIGADO JÁ NÃO SE LEMBRA DO MOTIVO", João Dias da Silva, Secretário-geral da FNE
Correio da Manhã – Um aluno de 13 anos agrediu esta segunda-feira um professor com uma cadeira. Continua a ir às aulas. Como explica a demora na aplicação de medidas disciplinares?
João Dias da Silva – Há a necessidade de respeitar os tempos que a legislação estabelece para a audição dos envolvidos. A legislação penal define prazos para se apresentarem recursos, no respeito do direito das pessoas à sua defesa. Por isso é natural que o Estatuto do Aluno tenha acolhido o que consta nos procedimentos penais.
– Não é exagerado comparar-se a criminalidade comum com o que se passa nas escolas?
– De certo modo, sim. Há uma contaminação excessiva dos procedimentos escolares com o que acontece judicialmente. É isso que nós estamos contra e defendemos exactamente o contrário.
– Quanto tempo demora até ser conhecida a punição ao aluno?
– O processo disciplinar comum pode ser muito demorado. Entre 15 dias a três semanas. Na maioria dos casos e nestas idades, quando o aluno é castigado já não se lembra do motivo pelo qual foi alvo de sanção. No caso de uma agressão ao professor, é claro que se lembra. Defendemos que nestas circunstâncias, quando é público e há testemunhas, deve existir uma maior autoridade das escolas para se aplicarem os procedimentos disciplinares o quanto antes.
– Defendem uma maior autoridade dos professores...
– Nos processos disciplinares coloca-se a palavra do aluno em pé de igualdade à do professor. Queremos que se reconheça ao professor o seu lugar na hierarquia e que isso permita ter capacidades para tomar medidas disciplinares mais imediatas para que os processos disciplinares sejam mais rápidos.
– O assunto está a ser discutido com o Ministério da Educação?
– Está na agenda do Ministério, que vai reunir com os parceiros.
João Saramago/ André Pereira
11 Março 2010 Correio da Manhã
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